Como diferenciar os tipos de fome: fome física e fome emocional
- Aline Carvalho

- 1 de fev. de 2025
- 4 min de leitura

Você já parou para pensar em quantas vezes comeu não por fome, mas para encontrar algum tipo de conforto?
Aprender a distinguir os diferentes tipos de fome é útil para desenvolver a autonomia sobre a própria alimentação.
Começando pelo básico que funciona, você começa a compreender melhor as motivações internas e a fazer escolhas que realmente atendam às necessidades do corpo e da mente.
A seguir, serão explicados os diferentes tipos de fome e como aplicar estratégias de regulação emocional na rotina.
Sinais da fome física:
Estômago roncando ou sensação de vazio no estômago.
Sensação de cansaço, fraqueza ou tontura.
Dificuldade em se concentrar.
Irritabilidade.
Baixa energia.
Boca seca ou sede constante e intensa.
Dor de cabeça.
O que é a fome emocional

Este tipo de fome acontece quando as emoções influenciam o desejo de comer, muitas vezes buscando escolhas de alimentos hiperpalatáveis, ou seja, com sabor mais intenso.
As emoções impulsionam o desejo de comer quando sua mente busca uma sensação de bem-estar imediato.
Situações estressantes do dia a dia influenciam na vontade de comer
Como a cobrança ou sobrecarga no trabalho, a sensação de solidão, até mesmo o tédio em casa, podem levar ao desejo de comer alimentos específicos, como doces e comidas reconfortantes que lembram algum momento da vida em que essas responsabilidades não eram um fardo.
Essas comidas são conhecidas como comidas afetivas.

"As comidas afetivas não são um problema quando se trata de alimentação saudável. Só vira um prejuízo quando é a única forma de lidar com as emoções. Se elas te oferecem conforto, o papel que exercem na sua vida é válido e coerente, desde que não afete a sua saúde, as relações interpessoais, seu senso de valor e principalmente sem gerar a sensação de culpa após comer." — Aline Angela, Nutricionista Clínica Comportamental
Recompensa após um esforço
Sabe aquele pensamento de "eu mereço" depois de um dia exaustivo ou de uma meta batida?
É quando usamos a comida como uma premiação para compensar o cansaço ou celebrar algo, transformando o alimento em alívio para o esgotamento mental.

Ansiedade e antecipação
Quando estamos ansiosos por um evento futuro (uma entrevista, uma viagem ou uma conversa difícil), a mente busca "disfarçar" esse frio no estômago através de alimentos pesados ou crocantes, que dão uma sensação momentânea de ação, controle ou calma.
Caso isso esteja acontecendo com você, o acompanhamento com um(a) nutricionista comportamental, e/ou com psicólogo(a), é o caminho mais seguro para alcançar conforto emocional sem prejudicar seu corpo e a sua qualidade de vida.
Sintomas da fome emocional:
Desejo imediato e intenso por alimentos específicos, preferencialmente alimentos mais calóricos, doces, gordurosos ou receitas que remetem a alguma memória agradável, confortável ou associada a um gatilho emocional específico.
Comer mesmo quando o estômago não está vazio.
Comer rapidamente, sem prestar atenção ao sabor, à textura, cheiro ou à quantidade de comida.
Sentimentos de culpa após comer.
Comer para lidar com emoções negativas (tristeza, raiva, preocupação, estresse, tédio, solidão, entre outros) e positivas (gratificação, prazer, alívio emocional ou conforto).
Dificuldade em determinar se está realmente com fome ou apenas entediado(a) ou emocionalmente abalado(a).
Sensações de ansiedade, angústia, tristeza ou raiva.
Se estou comendo muito mais pela fome emocional, isso significa que tenho um transtorno alimentar?
Definitivamente não.
Para um conjunto de comportamentos ser caracterizado como transtorno alimentar, há uma série de critérios específicos — e definidos em protocolos do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) — que precisam ser avaliados por profissionais para diagnosticar oficialmente a existência de um transtorno alimentar decorrente de um comportamento disfuncional, ou de outros fatores que podem desencadeá-lo.
7 sinais de quando a fome emocional pode se tornar preocupante:
Episódios de compulsão alimentar que ocorrem várias vezes por semana, com sensação de perda de controle e sem sinais de fome física.
Sentimentos de extrema culpa e vergonha após comer, acompanhados de tentativas de compensação (como jejuns prolongados ou exercícios em excesso).
Impacto na vida social e familiar, como evitar refeições com outras pessoas ou compromissos sociais devido à ansiedade com a alimentação.
Alterações bruscas no peso e perda de interesse em outras atividades, especialmente quando o comportamento alimentar é usado para regular emoções de forma constante e exclusiva.
Rigidez extrema com padrões alimentares. Quando há regras muito rígidas e inflexíveis sobre o que, quando e como deve comer, e experimenta grande sofrimento ou ansiedade ao quebrar essas regras.
Autocrítica severa e foco no peso ou forma corporal de forma obsessiva. A pessoa passa a se criticar com constância, sendo incapaz de enxergar qualidades em si e verificando peso ou forma corporal repetidamente, especialmente após comer.
Desconexão completa dos sinais físicos de fome e saciedade: Em casos mais avançados, a pessoa pode já não conseguir mais identificar quando está com fome ou satisfeita, confiando apenas nas emoções ou nos hábitos para decidir o que e quando comer.
Você pode contar com uma nutricionista especializada para entender o que está acontecendo com os seus sinais de fome e saciedade, assim como descobrir formas de alinhar a alimentação com o estilo de vida que tanto deseja.
Aline Angela Carvalho de Araujo
Nutricionista Clínica Comportamental
CRN-8 18431
Atendimento online e presencial em Curitiba/PR, bairro Batel
alineangela.nut@gmail.com
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