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Quem não pode usar Mounjaro ou Ozempic e porquê

  • 25 de jan.
  • 4 min de leitura
Entenda as contraindicações, situações que exigem cautela, risco em cirurgias/anestesia e como interromper Mounjaro, Ozempic ou WeGovy com segurança.

Embora os medicamentos agonistas de GLP-1 e GIP tenham transformado o tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, eles possuem restrições importantes.


A segurança do paciente depende da identificação de condições prévias que podem tornar o uso perigoso ou exigir monitoramento rigoroso.


Abaixo, detalhamos quem deve evitar essas substâncias e quais são os riscos envolvidos.



Para quem os medicamentos incretínicos (Mounjaro, Ozempic e WeGovy) não são indicados?



Existem situações em que o uso de tirzepatida (Mounjaro) ou semaglutida (Ozempic/Wegovy) é totalmente proibido devido ao alto risco de complicações graves:



Histórico de câncer na tireoide


Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou portadores da síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 não podem usar esses fármacos.


Estudos demonstraram o desenvolvimento de tumores de células C em roedores*, o que gerou um alerta de segurança rigoroso para humanos.



Alergias graves


Qualquer histórico de anafilaxia ou reações de hipersensibilidade a qualquer componente da fórmula impede o uso.



Diabetes tipo 1


Esses medicamentos não substituem a insulina e não são aprovados para o tratamento de diabetes tipo 1.


Tecnicamente, o GLP-1 age em múltiplos mecanismos (saciedade central, esvaziamento gástrico), não apenas na secreção pancreática.


A razão principal para a não aprovação em DM1 é a ausência de estudos de eficácia e segurança nessa população e o risco de cetoacidose diabética.


Para conhecimento extra: pesquisas em roedores são uma das primeiras etapas da ciência, servindo para identificar riscos graves antes de qualquer teste em humanos e evitar que tratamentos perigosos cheguem aos pacientes.


Situações que exigem precaução e monitoramento médico


Algumas condições não proíbem o uso de forma definitiva, mas demandam uma avaliação criteriosa do risco-benefício e vigilância constante:



Histórico de pancreatite


Pacientes que já tiveram inflamação no pâncreas devem ter cautela, pois casos de pancreatite aguda foram reportados, embora a relação causal direta ainda seja discutida.



Gastroparesia


Como esses remédios retardam o esvaziamento do estômago, quem já sofre de paralisia ou lentidão gástrica pode ter os sintomas agravados a níveis intoleráveis.



Retinopatia diabética


O controle muito rápido da glicose pode, inicialmente, piorar lesões na retina.


Existe alerta de que redução rápida da glicose pode piorar retinopatia no curto prazo, especialmente em quem já tem retinopatia moderada/grave.


Portanto, é fortemente recomendado:


  • avaliação oftalmológica conforme risco

  • acompanhamento mais próximo se houver retinopatia prévia


Esse risco foi mais documentado com a semaglutida especificamente (trial SUSTAIN-6). A tirzepatida tem perfil ligeiramente diferente nesse aspecto.



Doença renal crônica


A desidratação causada por náuseas e vômitos pode sobrecarregar os rins, levando a lesões agudas em pacientes que já possuem função renal comprometida.


Ou seja, o risco maior é por desidratação/queda de ingestão de água, não porque o remédio “estraga o rim” diretamente.



Gravidez e lactação


Por falta de dados de segurança, recomenda-se interromper com antecedência (em geral, semanas a meses, conforme o medicamento) e planejar o uso com o médico.



O que fazer quando você tem uma dessas condições e já estiver usando?


O usuário que já começou o tratamento e descobre uma contraindicação precisa saber:


  • Como parar com segurança (desmame vs. interrupção abrupta).

  • Quanto tempo leva para o medicamento sair totalmente do corpo (meia-vida da semaglutida: ~1 semana; tirzepatida: ~5 dias).

  • Quais sintomas monitorar após a interrupção.


Busque um médico endocrinologista para te acompanhar.


Quem não pode usar Mounjaro


"Meu médico não perguntou sobre isso. E agora?"


Descobrir uma contraindicação depois de já estar usando o medicamento pode gerar dúvida e ansiedade, mas a primeira atitude é não interromper o uso por conta própria e buscar orientação médica o quanto antes.


Para aproveitar ao máximo essa consulta, leve as seguintes informações.


Sobre o seu uso atual:


  •  Nome do medicamento que está usando (semaglutida ou tirzepatida) e a dose atual

  •  Há quanto tempo está em uso

  •  Frequência das aplicações e data da última dose

  •  Se está em fase de escalonamento de dose

  • Onde comprou, origem conhecida do medicamento e como conseguiu


Sobre a contraindicação descoberta:


  •  Qual é a condição identificada e quando foi diagnosticada

  •  Se é um histórico pessoal ou familiar

  •  Exames recentes relacionados à condição (laudos, resultados laboratoriais)

  •  Se está sentindo algum sintoma novo desde que começou o medicamento


Perguntas para fazer ao médico:


  •  Preciso parar imediatamente ou posso fazer um desmame gradual?

  •  Quais sintomas devo monitorar após a interrupção?

  •  Existe algum exame que precisa ser feito agora por precaução?

  •  Há alguma alternativa de tratamento segura para o meu caso?


⚠️ Importante: não suspenda o medicamento sem orientação médica. Em alguns casos, a interrupção abrupta pode trazer desconfortos e a decisão de continuar ou parar depende de uma avaliação individualizada do risco-benefício.


Como o uso de GLP-1 afeta cirurgias e anestesia?


Um ponto crítico de segurança é o risco de aspiração pulmonar durante procedimentos cirúrgicos.


Como o estômago demora muito mais para esvaziar, o conteúdo alimentar pode retornar para os pulmões durante a anestesia geral, mesmo com o jejum padrão.


Em outubro de 2024, a ASA (American Society of Anesthesiologists), em conjunto com outras sociedades médicas, atualizou sua orientação: a maioria dos pacientes pode continuar usando os agonistas de GLP-1 antes de cirurgias eletivas.


A suspensão passa a ser indicada apenas para grupos de maior risco, como pacientes na fase de escalonamento de dose, aqueles com sintomas gastrointestinais ativos (náusea, vômito, dor abdominal) ou com condições que já retardam o esvaziamento gástrico (ex.: Parkinson).


Para esses casos de maior risco, recomenda-se dieta líquida nas 24 horas anteriores ao procedimento e, quando necessário, ultrassom gástrico point-of-care antes da anestesia.


É indispensável informar a equipe médica sobre o uso do medicamento antes de qualquer intervenção.



Entenda os riscos e contraindicações


Para facilitar a visualização, organizamos as principais restrições no quadro abaixo:

Tipo de Restrição

Condição de Saúde

Motivo Principal

Absoluta

Câncer Medular de Tireoide / MEN 2

Risco de tumores de células C

Absoluta

Alergia grave aos componentes

Risco de anafilaxia

Absoluta

Diabetes Tipo 1

Não substitui a insulina necessária

Precaução

Pancreatite prévia

Risco de nova inflamação no pâncreas

Precaução

Gastroparesia severa

Piora extrema da lentidão gástrica

Precaução

Retinopatia Diabética

Risco de piora visual com controle rápido

Precaução

Gestação e Amamentação

Falta de dados de segurança fetal

Precaução

Doença Renal Grave

Vulnerabilidade à desidratação



Resumindo


  • Impedimentos definitivos: Histórico de câncer medular de tireoide, síndrome MEN 2 e alergias graves.

  • Atenção cirúrgica: O medicamento deve ser suspenso antes de anestesias para evitar complicações pulmonares.

  • Saúde ocular e renal: Diabéticos precisam de exames de vista frequentes e monitoramento da hidratação para proteger os rins.




Aline Angela Carvalho de Araujo

Nutricionista Clínica Comportamental

CRN-8 18431

Atendimento online e presencial em Curitiba/PR, bairro Batel

alineangela.nut@gmail.com




 
 
 

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