Como lidar com alguém que tem diabetes
- Aline Carvalho

- 10 de set de 2025
- 4 min de leitura

Viver com diabetes se torna menos complicado quando a rede de apoio também cumpre seu papel: não reduzindo alguém à sua condição, ou seja, um exercício de enxergar a pessoa de forma completa, respeitando sua autonomia e individualidade.
Quem vive com diabetes não é “o diabético”, é uma pessoa com interesses, habilidades e sonhos que vão muito além do diagnóstico.
Ao reduzir e resumir alguém à doença, deixamos de valorizar sua força, suas escolhas e as tantas outras coisas que compõem sua identidade.
Formas de apoiar alguém que recebeu o diagnóstico de diabetes recentemente
O apoio, nesse sentido, vem de uma postura respeitosa, que entende o diabetes como um aspecto da vida, não o fator definidor dela.
Isso significa estar presente sem invadir, oferecer ajuda sem presumir fragilidade e, principalmente, respeitar a capacidade da pessoa de conduzir sua rotina do jeito que faz sentido para ela.
O que não fazer ao tentar ajudar alguém a lidar com diabetes
Pressionar constantemente (não orientando) o controle de glicemia
Impedir o acesso a alimentos ricos em carboidratos simples ou outros alimentos preferidos, podando sua capacidade de escolha
Tratamento de infantilização, duvidando da sua autonomia
Sempre deduzir que um episódio de pico de glicemia ou hipoglicemia foi imaturidade e irresponsabilidade por parte da pessoa
Reforçar tabus alimentares sem conferir se tem fundamento científico
Acima de tudo, não agir como um profissional da área da saúde se você não possui qualificação para isso.
Um gesto de amor e cuidado é entender a doença, os cuidados necessários para primeiros socorros e recomendar um nutricionista que acompanhe o paciente na adaptação da rotina.
O que fazer para ajudar uma pessoa diagnosticada com diabete
Pergunte como você pode ajudar, em vez de assumir o que a pessoa precisa
Observe sinais de hipo ou hiperglicemia e saiba como agir em emergências
Celebre as conquistas no manejo da condição, por menores que pareçam
Inclua a pessoa normalmente em programas sociais, adaptando quando necessário (não excluindo)
Incentive o acompanhamento com equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo)
Principais apoios que você pode oferecer na diabetes

Lanches rápidos e estratégicos: tenha por perto e ofereça opções saudáveis e de baixo índice glicêmico à mão, como castanhas, frutas ou iogurte. Isso ajuda a pessoa a se cuidar sem esforço extra.
Parceria nas refeições: aprenda a fazer receitas e escolher restaurantes com opções equilibradas, de preferência alimentos ricos em fibras, o que faz com que a pessoa se sinta mais à vontade para se alimentar fora de casa e fortalece o vínculo de confiança entre vocês.
Planejem juntos a alimentação: nos dias de passeio ou viagens, pense em horários e paradas para alimentação e medição de glicose. Será uma excelente ajuda para evitar imprevistos e diminuir o estresse
Aprenda sobre a condição, sem ter que pedir explicações para quem tem o diagnóstico: entender um pouco sobre diabetes facilita a comunicação e ajuda você a saber o que realmente faz diferença no cotidiano da pessoa.
Com o tempo, cuidar da glicemia e escolher alimentos que fazem bem ao corpo se tornam parte da rotina.
Entendendo a diabetes em 1 minuto

A glicose é um tipo de açúcar simples (monossacarídeo) essencial para o corpo, pois fornece a energia que todas as células precisam para funcionar.
Você já ouviu falar da expressão “açúcar no sangue”?
O termo "açúcar" é mais genérico e pode se referir a diferentes tipos de carboidratos doces, como:
Sacarose: É o açúcar de mesa comum, composto por glicose e frutose.
Frutose: Um açúcar natural encontrado em frutas, mel e alguns vegetais.
Lactose: Um açúcar encontrado no leite, composto por glicose e galactose.
Portanto, dizer “açúcar no sangue” faz sentido popularmente até certo ponto, mas entender que é a glicose a protagonista quando se trata de diabetes, torna tudo mais claro.
Resumindo:
Toda glicose é um açúcar, mas nem todo açúcar é apenas glicose.
Quando falamos em "açúcar" no contexto da alimentação, geralmente estamos nos referindo à sacarose, que é diferente da glicose em sua composição química e metabolização (termo que explica a transformação de compostos químicos no nosso corpo).
Durante a alimentação, os carboidratos são quebrados em moléculas menores, incluindo a glicose, que é absorvida pelo intestino delgado e transportada para a corrente sanguínea.
Assim, ela se torna disponível para ser utilizada como fonte de energia pelas células. Em uma pessoa saudável, a glicose entra nas células com a ajuda da insulina (um hormônio produzido pelo pâncreas) para ser funcionalmente usada pelo organismo.
Na diabetes, esse sistema não funciona como deveria.
Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2
Por se tratar de uma condição em que o corpo não consegue regular adequadamente os níveis de glicose (ou açúcar) no sangue, pode causar vários problemas de saúde a longo prazo, como doenças cardiovasculares, danos aos nervos, doença renal, problemas de visão, problemas de cicatrização, aumento do risco de infecções, doenças de pele ou complicações dentais.
No diabetes tipo 1, o corpo praticamente não produz insulina, pois o sistema imunológico ataca as células que a produzem. É neste tipo que a pessoa depende da aplicação diária de insulina.
No diabetes tipo 2, que é mais comum, o corpo ainda produz insulina, mas as células têm dificuldade em usá-la adequadamente – isso é conhecido como resistência à insulina. Neste tipo, a glicose se acumula no sangue, mas medicamentos podem ser usados para estabilizar esses níveis.
Para ter uma vida plena e saudável, é preciso adotar algumas estratégias práticas que podem prevenir complicações.
Além do uso correto de medicações, orientado por um(a) médico(a) de confiança, há 4 pilares essenciais para o manejo da diabetes:
Hidratação adequada
Exercício físico regular
Alimentação equilibrada
Manejo do estresse na rotina.
O que fazer agora que você já sabe como lidar com diabetes?
Caso a pessoa ainda tenha dúvidas sobre o diagnóstico, pode mostrar para ela como conviver bem com a rotina de monitoramento glicêmico.
Aline Angela Carvalho de Araujo
Nutricionista Clínica Comportamental
CRN-8 18431
Atendimento online e presencial em Curitiba/PR, bairro Batel
alineangela.nut@gmail.com
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