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Nutrição comportamental na diabetes para mais bem-estar

  • Foto do escritor: Aline Carvalho
    Aline Carvalho
  • 28 de mai. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: há 6 dias


Blog post sobre diabetes e comportamento alimentar


Conviver com o diagnóstico de diabetes vai muito além do monitoramento da glicemia e de uma dieta rígida.


Quem vive com diabetes tipo 1 ou tipo 2 pode ver cada refeição em um ato complexo e, muitas vezes, desafiador, mas o comportamento alimentar é uma peça-chave para conviver com o diagnóstico a partir de uma perspectiva mais otimista.


A vida com diabetes, embora traga seus desafios, é também um convite à redescoberta do corpo e de suas necessidades.


Neste guia completo, você vai entender como funciona o comportamento alimentar na diabetes, explorando exemplos práticos, desmistificando a relação com a comida e aprendendo os cuidados necessários para uma rotina menos ansiosa.



Mulher aplicando sensor de monitoramento contínuo de glicose (MCG) na região abdominal para controle do diabetes e mudança de comportamento alimentar.
Sensor de monitoramento contínuo de glicose (MCG) na região abdominal, um aparelho utilizado para monitorar os níveis de glicose no sangue de forma contínua, sem a necessidade de múltiplas picadas no dedo. Existem diferentes marcas e modelos, mas o que é visto na imagem é um dispositivo para ser fixado na pele, geralmente na região abdominal ou na parte de trás do braço.

O comportamento alimentar em pessoas com diabetes


Pessoas com diabetes têm o comportamento alimentar geralmente moldado por diretrizes de controle dos macronutrientes (carboidratos, proteínas e gorduras) e oscilações da frequência alimentar.


Por se tratar de uma necessidade que garante a própria sobrevivência, o controle da glicemia é inevitável, mas a mudança de perspectiva é capaz de mudar o próprio comportamento. 


As necessidades de monitoramento intensivo para prevenir picos e quedas de glicemia transformam a alimentação em um projeto: etapas a serem seguidas, metas a serem conquistadas, bem como o acompanhamento contínuo para compreender os dados e os sintomas. 


Este projeto passa a ser interpretado como desconfortável quando há:


  • Rejeição do diagnóstico

  • Falta de orientação profissional

  • Inadequação dos hábitos ao contexto de vida, principalmente no contexto social


Por conta dessas características, pessoas com diabetes acabam adotando comportamentos de restrição compensatória.


Restrição compensatória: um ciclo em que se restringe rigorosamente a ingestão de certos alimentos para evitar aumento nos níveis de glicose. 


Casal relaxando no sofá com tigela de salgadinhos, representando o desafio da alimentação, nutrição e comportamento alimentar para pessoas com diabetes.


Outros exemplos de comportamentos comuns na diabetes:


  • Planejamento alimentar rígido: uma pessoa pode se sentir pressionada (não orientada) a pesar os alimentos e calcular carboidratos em todas as refeições. Essa rotina pode se transformar em obsessão, levando a um comportamento alimentar disfuncional.


  • Negação e ausência total de controle da glicemia: para quem encontra resistência de aceitar o diagnóstico, não ter constância no monitoramento dos picos e quedas de glicemia pode gerar sérios riscos à saúde.


  • Pavor de certos alimentos: como alimentos com alto índice glicêmico (pão branco e doces, por exemplo) podem gerar ansiedade se o indivíduo não recebeu orientações adequadas para o manejo de carboidratos na rotina. Algumas pessoas passam a evitar completamente esses alimentos, o que, por vezes, leva a episódios de compulsão alimentar.




Rotina de cuidado com diabetes: a imagem mostra uma pessoa realizando a medição de glicose com o glicosímetro e caneta lancetadora.
Rotina de cuidado com diabetes: a imagem mostra uma pessoa realizando a medição de glicose com o glicosímetro e caneta lancetadora.


O impacto do diabetes nas relações sociais e amizades


A sociedade nem sempre compreende as demandas de quem convive com o diagnóstico.


Um indivíduo com diabetes frequentemente precisa justificar o motivo de precisar fazer pausas, medir a glicose ou cuidar do que consome em momentos sociais. 


Explicar essas necessidades é um exercício contínuo, pois muitas pessoas, além de não entenderem a doença, ainda enxergam essa síndrome metabólica com um olhar de julgamento, associando-a a estigmas como falta de cuidado pessoal, “obsessão desnecessária” com o monitoramento, ou “desculpa para se ausentar” — o que não faz o menor sentido, mas vamos entender melhor isso ao longo deste artigo.


Nestes casos, a rede de apoio faz uma enorme diferença.


Embora ainda falte muita compreensão e empatia, o apoio está em pequenas atitudes:


  • Amigos que garantem refeições adequadas em reuniões sociais


  • Colegas e supervisores de trabalho que respeitam pausas para comer ou fazer aferição da glicemia


  • Familiares realizam as compras de supermercado considerando alimentos que ajudam a controlar os picos de glicemia


  • Professores e líderes preparados para lidar com rotinas alternativas


Esse tipo de respeito reforça a sensação de que, mesmo com as demandas extras, ninguém precisa carregar o peso sozinho.


Ana Clara, diagnosticada com diabetes desde criança, já enfrentou muitos desafios no processo de entender como cuidar da própria saúde, e muitas conquistas pelo caminho:


“Hoje eu sei como meu corpo funciona. Não sou médica, mas hoje sou enfermeira e especialista em mim. Eu me estudei por anos. Já testei todas as ferramentas e métodos que poderia ter acesso. Fiz uma pesquisa sobre o conhecimento dos professores universitários sobre as demandas de acadêmicos com diabetes, porque sei como é viver com o diagnóstico sem ter todo o apoio que precisaria no ambiente acadêmico e escolar. Na escola, quando eu não fazia contagem de carboidratos e não tinha a liberdade e os recursos que tenho hoje, minha mãe precisava ir até a escola ver na lanchonete se tinha algo que eu poderia comer, e na maioria das vezes não tinha nada.”

Ainda temos um longo caminho, enquanto sociedade, para garantir os direitos e qualidade de vida de quem convive com diabetes, mas já avançamos bastante.



Apoio social e emocional para pessoas com diabetes


Como ter um comportamento alimentar saudável com diabetes?


O comportamento alimentar de quem tem diabetes pode ser saudável, ou um gatilho para transtornos alimentares.


Depende da rede de apoio e da perspectiva da pessoa quanto ao próprio corpo e saúde.


Transtornos alimentares na pessoa com diabetes não são, necessariamente, um risco tão comum quanto outras doenças derivadas dessa síndrome metabólica.


Uma abordagem terapêutica integrada e baseada em evidências, com apoio psicológico e práticas como o reconhecimento de sinais do corpo, ou culinária intuitiva, pode ajudar a desenvolver hábitos que melhoram tanto o controle glicêmico, quanto o bem-estar psicológico.


No fim das contas, os pilares de uma vida saudável (alimentação, movimento, sono, equilíbrio emocional) valem para todos.


Mas quem tem uma rotina que existe o monitoramento da glicemia acaba praticando esses pilares com uma intencionalidade que nem todos alcançam.


E, muitas vezes, essa dedicação ao autocuidado transforma a maneira como uma pessoa vive.


Em vez de viver no automático, vive com mais atenção no momento presente, com escolhas estratégicas e com uma visão de longo prazo sobre o próprio bem-estar.


Com o tempo, cuidar da saúde deixa de ser uma preocupação e se torna uma habilidade: você aprende o que funciona e descobre que é possível aproveitar tudo o que gosta, desde que faça isso de uma forma que respeite o que seu corpo precisa. 




Aline Angela Carvalho de Araujo

Nutricionista Clínica Comportamental

CRN-8 18431

Atendimento online e presencial em Curitiba/PR, bairro Batel

alineangela.nut@gmail.com



 
 
 

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