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Mounjaro e Ozempic: como lidar com efeitos colaterais

  • 16 de fev.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 13 de abr.

Semaglutida e tirzepatida

Os agonistas GLP-1 têm perfil seguro, mas efeitos gastrointestinais são comuns devido ao retardamento gástrico.


Em vez de começar com a dose máxima em um primeiro momento (o que causaria fortes efeitos colaterais), o médico prescritor inicia com uma dose muito baixa e vai aumentando gradualmente, permitindo que o corpo se adapte aos efeitos.


Abaixo, há uma descrição detalhada dos efeitos colaterais.



Efeitos gastrointestinais (muito comuns)


  • Náusea: Mais frequente nas primeiras semanas (44% em Wegovy 2,4mg; 20% em Ozempic 1mg). Diminui com o tempo.


  • Vômitos e diarreia: Leves a moderados (até 73% em Wegovy; 36% em Ozempic).


  • Constipação e dispepsia: Devido ao trânsito lento no sistema gastrointestinal. Hidratação (2L/dia no mínimo) e o aumento gradual do consumo de fibra, combinando diferentes tipos, ajudam.



Efeitos metabólicos


  • Hipoglicemia: Baixo risco sozinho, mas aumenta com sulfonilureias/insulina (15,4% em Mounjaro vs. 5,9% placebo). Monitore e ajuste doses.



Alterações estéticas


  • "Rosto de Ozempic": Perda rápida de gordura facial causa flacidez/rugas. Prevenção: titulação lenta, proteína adequada, colágeno.


  • Perda de massa muscular: Parte da perda de peso inclui massa magra. Exercícios de resistência e proteína são essenciais.



Comparação direta de efeitos colaterais: tirzepatida vs. semaglutida


De forma geral, semaglutida (Ozempic/Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro) podem causar os mesmos sintomas: náusea, estômago pesado, azia, constipação, vômitos ou diarreia.


A diferença é que algumas pessoas relatam melhor tolerância com a tirzepatida, porque ela também ativa o GIP, outro hormônio intestinal que pode ajudar a equilibrar a resposta do corpo (inclusive na sensação de enjoo).


Ainda assim, cada organismo reage de um jeito. Há pessoas que toleram melhor semaglutida e outras que se dão melhor com tirzepatida.



Quando os efeitos colaterais desaparecem?


Na maioria das vezes, os sintomas são mais fortes:


  • Nas primeiras semanas

  • Logo após subir a dose: aproximadamente três dias depois


Em geral, o corpo melhora entre 4 e 8 semanas.


Se os sintomas continuarem fortes depois de 12 semanas, vale conversar com o médico porque pode ser necessário manter a dose por mais tempo, reduzir o ritmo de aumento ou até repensar a medicação, dependendo do caso.



Quando a hipoglicemia é realmente perigosa?


Para quem não usa insulina nem remédios que forçam o pâncreas a produzir insulina, a chance de hipoglicemia (açúcar baixo no sangue) costuma ser baixa com GLP-1.


O risco aumenta quando o tratamento está combinado com:


  • Insulina

  • Sulfonilureias (ex.: gliclazida, glibenclamida).


Nesses casos, a hipoglicemia pode ser perigosa e precisa de orientação médica, principalmente se houver:


  • Jejum prolongado,

  • Redução brusca de carboidratos,

  • Vômitos/diarreia (comendo pouco),

  • Treino intenso sem ajuste alimentar.


Sinais comuns de hipoglicemia incluem tremor, suor frio, palpitação, fraqueza, confusão e visão embaçada.


Se isso ocorrer, é importante seguir o plano orientado pelo médico (ou pronto atendimento, se houver sintomas intensos).



Como prevenir o “rosto de ozempic”?


O termo “rosto de Ozempic” ficou popular para descrever mudanças no rosto quando a pessoa perde peso e gordura muito rápido:


  • Bochechas mais fundas

  • Pele mais flácida

  • Rugas mais aparentes.


O que mais ajuda a prevenir:


  • Evitar emagrecer rápido demais (subir dose com calma, quando indicado)

  • Manter proteína suficiente na alimentação

  • Fazer treino de força para preservar massa magra

  • Cuidar de hidratação e sono (a pele sente muito)



Estratégias nutricionais específicas (para reduzir náusea, azia e estômago pesado)


Como o estômago fica mais lento, o objetivo é facilitar a digestão e reduzir gatilhos.


Medidas que costumam ajudar:


  • Porções menores, mais vezes ao dia (em vez de um pratão)

  • Evitar refeições muito gordurosas (frituras, creme, excesso de queijos) no início

  • Preferir alimentos mais simples e fáceis de digerir quando há enjoo

  • Gengibre (chá ou raspas em água) e hortelã podem aliviar náusea em algumas pessoas

  • Não deitar logo após comer

  • Se houver constipação, aumentar água e fibras aos poucos, porque subir fibra rápido pode piorar gases e desconforto


A fibra funciona melhor quando é aumentada em etapas, e sempre junto com água. Caso contrário, pode “travar” ainda mais o intestino.



Medicamentos que aumentam o risco de efeitos colaterais


Alguns remédios podem piorar desconfortos, e por isso a lista completa de medicações deve ser revisada com o médico.


Exemplos comuns:


  • Metformina: pode aumentar diarreia e cólicas (especialmente no começo)

  • Anti-inflamatórios (como ibuprofeno, diclofenaco): podem piorar gastrite/azia em algumas pessoas


Pode ser necessário ajustar horários, doses ou estratégias alimentares.



Quando parar com as injeções: principais sinais de alerta


Sintomas leves e moderados no começo são comuns.


Porém, alguns sinais não devem ser ignorados e precisam de avaliação médica:


  • Dor abdominal forte e persistente, especialmente na parte de cima do abdômen

  • Vômitos repetidos, que impedem de manter água e comida

  • Sinais de desidratação (muita fraqueza, tontura ao levantar, boca seca, urina muito escura e pouca)

  • Reação alérgica importante (inchaço, falta de ar, urticária intensa)

  • Piora importante do estado geral


Se o sintoma está impedindo vida normal, hidratação ou alimentação por tempo prolongado, avalie suspender o medicamento com o desmame correto e sob acompanhamento médico.



Exames que você precisa acompanhar


Os exames variam de acordo com o objetivo (diabetes, obesidade, comorbidades), mas em geral vale acompanhar:


  • Hemoglobina glicada (HbA1c) e/ou glicemia (especialmente em diabetes)

  • Função renal (creatinina, taxa de filtração)

  • Perfil lipídico (colesterol e triglicérides)

  • Função hepática (enzimas do fígado), quando indicado

  • Em situações específicas, o médico pode pedir outros exames conforme sintomas e histórico



Desmame seguro: como parar de usar tirzepatida ou semaglutida


Parar o medicamento de forma planejada costuma ser mais confortável do que interromper de uma vez, porque a fome e o apetite podem voltar com força.


O desmame normalmente envolve reduzir a dose aos poucos e, ao mesmo tempo, reforçar uma rotina alimentar e de atividade física que sustente o resultado.




Aline Angela Carvalho de Araujo

Nutricionista Clínica Comportamental

CRN-8 18431

Atendimento online para qualquer lugar do mundo





 
 
 

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