Diferença entre seletividade alimentar, picky eating e TARE
- 27 de fev.
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Picky eater é um termo em inglês que descreve alguém com preferências alimentares específicas e seletividade alimentar é um espectro de comportamento, ou seja, a definição mais ampla de rejeitar comida por suas características sensoriais. TARE é quando a seletividade se torna um transtorno alimentar.
Um dos comportamentos comuns do Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) é, também, a recusa de alimentos pela sensibilidade sensorial, que leva a esse consumo limitado.
Uma pessoa com seletividade alimentar pode ter um transtorno alimentar ou neurodivergência, mas não necessariamente uma pessoa com distúrbio alimentar, condição neurobiológica ou transtorno mental terá seletividade alimentar.
Picky eating é a mesma coisa que seletividade alimentar?
Os termos picky ou fussy eating são usados para descrever o comportamento de uma criança na fase em que passa a recusar alimentos por conta das suas características sensoriais.
Ao longo do desenvolvimento evolutivo de seres humanos, o desconhecido poderia representar uma ameaça à sobrevivência, isso inclui os sabores amargos, por exemplo, já que toxinas costumam ter esse sabor e a aversão nos protegia do possível risco de serem ingeridas.
Alimentos ricos em açúcar, por outro lado, liberam substâncias associadas ao processamento de prazer, recompensa e aprendizagem no cérebro.
Nem toda criança passa por essa fase de recusa, mas é muito comum, pois faz parte do desenvolvimento de habilidades e identidade.

Quem são os picky eaters?
A maioria das crianças entre 2 e 6 anos, pois o comportamento faz parte da fase de desenvolvimento, tem base genética parcial (o estudo Gemini mostrou herdabilidade de 46-58% já aos 16 meses), e tende a melhorar com o tempo sem intervenção.
Características resumidas e generalizadas do picky eater:
Geralmente consome mais de 30 alimentos diferentes.
Fase passageira. Aceita novos alimentos após 5 a 15 exposições.
Dificilmente apresenta deficiências graves ou perda de peso (em comparação à seletividade alimentar persistente e incapacitante).
Consegue comer em festas ou restaurantes (mesmo que pouco).
Pode, ou não, necessitar de reposição nutricional pela falta de variedade na alimentação.
Seletividade alimentar sempre é um transtorno alimentar?
Seletividade alimentar é o termo técnico amplo, que cobre desde o picky eater até o indivíduo diagnosticado com Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE).
Dentro deste conceito, há diferentes níveis do ato de restringir ou evitar alimentos por características sensoriais, medo de consequências adversas, ou baixo interesse em comer.
Pode ser leve, moderada ou severa. Pode ser transitória ou persistente. Pode ser um transtorno, ou não.
Características resumidas e generalizadas da seletividade:
Frequentemente consome menos de 20 alimentos.
Persistente. Aversão extrema que não melhora com "insistência".
Risco alto de anemia, deficiências nutricionais constantes e perda de peso ou impacto no crescimento.
Evita eventos sociais. O cheiro ou a visão da comida causa náusea/pânico.
É muito provável que necessite de suplementos (também adequados à sensibilidade sensorial)
Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) obrigatoriamente é seletividade alimentar?

Algumas pessoas com TARE podem não ter seletividade alimentar baseada em sensibilidade sensorial porque o principal motivo de restringir a alimentação é a falta de interesse pela comida, ou até mesmo uma "super proteção" por consequência de traumas relacionados ao ato de comer.
Neste caso, o transtorno representa um conjunto de comportamentos de evitação não motivados por exigência estética.
O DSM-5 descreve 3 apresentações possíveis dentro do critério diagnóstico:
Aparente falta de interesse por comer ou por comida
Evitação baseada nas características sensoriais dos alimentos
Preocupação com consequências aversivas de comer, como engasgar, vomitar, sentir dor ou passar mal
Essas apresentações aparecem no próprio texto diagnóstico como exemplos clínicos, mas o DSM não cria especificadores oficiais separados, como “TARE subtipo sensorial”, “TARE subtipo medo”, etc.
A literatura científica passou a chamar essas três apresentações de fenótipos, perfis, apresentações ou subtipos, dependendo do artigo.
Um estudo de neuroimagem publicado na JAMA Network Open propôs um modelo neurobiológico tridimensional do TARE. Nesse modelo, os três fenótipos do DSM-5 aparecem como dimensões que podem coexistir na mesma pessoa.
Isso significa que uma pessoa pode apresentar combinações de subtipos ou todos eles ao mesmo tempo.
Qual é o tratamento para picky eating, seletividade alimentar e TARE?
Cada nível de impacto da seletividade alimentar de adultos explicado neste artigo tem tratamentos diferentes, com áreas de conhecimento especializadas, pois as estratégias dependem do contexto individual.
Em resumo, alguns métodos, abordagens e princípios podem ser aplicados:
Exposição gradual
Dessensibilização sistemática
Encadeamento alimentar
Treinamento sensorial
Desenvolvimento de habilidades relacionadas ao processo de comer: da identificação na compra até engolir o alimento
Terapia de Aceitação e Compromisso
Terapia Comportamental Dialética
Terapia Junguiana
Terapia Cognitivo Comportamental
Profissionais que devem fazer parte do tratamento
Picky eating | Seletividade alimentar | TARE |
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Aline Angela Carvalho de Araujo
Nutricionista Clínica Comportamental
Atendimento online para qualquer lugar do mundo
CRN-8 18431
alineangela.nut@gmail.com



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