top of page

Os impactos da seletividade alimentar na vida adulta

8 de mai.
10 min de leitura
Mulher com seletividade alimentar de vestido azul come macarrão de caixa de delivery em quarto claro, com expressão de desagrado.


Certas experiências aparecem com muita frequência entre adultos com seletividade alimentar sendo percebidas com maior intensidade (e sofrimento) do que por pessoas que não têm o paladar seletivo.


As dificuldades observadas em grupos de atendimento e relatadas por pacientes em consulta vão desde situações que interferem de forma direta na alimentação até problemas que acabam afetando a rotina, a saúde e a vida social.


Para a criação deste artigo, foram mapeados estudos publicados em revistas científicas de referência no tema, priorizando evidências de maior qualidade sempre que disponíveis. A literatura ajuda a entender por que algumas dessas experiências acontecem e quais fatores podem estar relacionados à seletividade alimentar na vida adulta.


Mas os relatos individuais também ajudam a enxergar aspectos que nem sempre aparecem nos estudos, portanto o levantamento inclui experiências compartilhadas em publicações e comentários nas redes sociais, além de discussões e trocas com profissionais de diferentes áreas da saúde que acompanham pessoas com dificuldades alimentares.



O que adultos com seletividade alimentar mais sentem e experienciam na rotina?



Os 9 itens listados abaixo são um resumo de todos os aspectos vividos no dia a dia de pessoas com seletividade alimentar, mas foram detalhados ao longo do artigo.


Se você se identifica com a maioria deles, ou conhece alguém que passa por dificuldades semelhantes, esses são alguns dos pontos que podem ser trabalhados no acompanhamento nutricional para seletividade alimentar.

Em resumo:


  1. Dificuldade de comer o suficiente para sentir disposição na rotina

  2. Problemas com a textura, sabor, cheiro, aparência ou outros aspectos sensoriais da comida

  3. Imprevisibilidade dos alimentos gera incômodo antes mesmo de experimentá-los

  4. Comidas misturadas e apresentação de prato tendem a ser um grande desafio

  5. Tentar alimentos novos sempre esteve associado a sofrimento

  6. Dificuldade em reconhecer o que realmente significa ter uma alimentação saudável

  7. Cozinhar e comprar comida são desafios difíceis de lidar

  8. Alimentação fora de casa é sempre mais complexa

  9. Estresse, sono, hidratação e atividade física têm impacto indireto na repulsa por alimentos



Mulher com seletividade alimentar sentada na cama, de pijama branco, com comida chinesa e cartelas de comprimidos.


Dificuldade de comer o suficiente para sentir disposição na rotina


Quem tem seletividade alimentar pode passar muitas horas sem comer ou comer menos do que precisa ao longo do dia. Quando há opções disponíveis, é provável que não sejam aceitas.


Os sinais de fome também aparecem com pouca frequência, ou a pessoa se acostuma com a sensação de fome e deixa de se alimentar.


Em alguns casos, só se percebe que precisa comer quando sente fraqueza, tontura, náusea ou queda de disposição.


As experiências mais frequentes na vida de adultos com seletividade alimentar costumam ser:


  1. Esquecer de comer por horas ou pelo dia inteiro.


  2. Perceber que precisa comer apenas quando aparecem náusea, tontura, fraqueza ou sensação de desmaio.


  3. Sentir fome poucas vezes por semana.


  4. Entender a fome racionalmente, mas não sentir impulso para comer.


  5. Comer uma vez ao dia porque iniciar outra refeição mais completa parece trabalhoso demais.


  6. Sentir-se fisicamente mal quando tenta aumentar o volume da refeição, mesmo que não seja grande quantidade de comida.


  7. Adiar comida porque existem tarefas mais urgentes ou interessantes.


  8. Em períodos de estresse, perder ainda mais o interesse por comer.


  9. Passar a depender de snacks ao longo do dia para manter-se desperto, ativo, "funcional".


  10. Ter dificuldade de manter rotina alimentar quando mora sozinho.


  11. Dificuldade de encaixar refeições em faculdade, trabalho ou rotina irregular.


  12. Comer significativamente "pior" quando está longe da família ou de alguém que costuma preparar comida.


  13. Ter poucos alimentos disponíveis em casa e acabar ficando sem comer porque nenhum deles é tolerável naquele momento.



Problemas com aspectos sensoriais da comida


Colagem em close de texturas de alimentos: toranja, brócolis, repolho roxo, pipoca, chips e pão.


Os aspectos sensoriais estão entre os motivos mais frequentes para um adulto não experimentar ou parar de comer certos alimentos.


Na prática, essas dificuldades podem aparecer de várias formas:


  1. Rejeitar alimentos por serem moles, pastosos, pegajosos, viscosos, escorregadios, esfarelam na boca, ou outras características de textura.


  2. Engasgar ou ter ânsia quando uma textura não é sentida como a expectativa.


  3. Conseguir comer um ingrediente crocante, mas rejeitá-lo quando amolece dentro de uma preparação ou na boca.


  4. Tolerar um alimento quando é feito por uma maneira específica de cozinhar, mas rejeitá-lo quando é preparado de outra forma.


  5. Perceber pedaços, fibras, sementes, peles, gordura ou cartilagem como obstáculos difíceis de ignorar.


  6. Rejeitar alimentos pela mistura de várias consistências na mesma mordida (o que mais costuma gerar incômodo são os elementos crocantes e moles juntos).


  7. Ter dificuldade com bebidas devido à própria sensação do líquido na boca ou garganta.


  8. Perceber sabores amargos ou ácidos com intensidade excessiva.


  9. Rejeitar alimentos pelo cheiro antes de prová-los.


  10. Sentir náusea com o cheiro de comida sendo preparada.


  11. Rejeitar alimentos por aparência.



Imprevisibilidade dos alimentos


A previsibilidade pode ter um peso importante nas decisões de um adulto com seletividade alimentar que tenha sensibilidade maior a pequenas mudanças, medo de ter uma experiência desagradável, necessidade de controle ou a características de rigidez e perfeccionismo.


"Experiências negativas anteriores com comida também podem aumentar a desconfiança e fazer com que qualquer variação pareça um risco." — Aline Angela, Nutricionista Comportamental

Saber como aquele alimento costuma ser percebido pela experiência de outras pessoas facilita a decisão de comê-lo.


Já a possibilidade de encontrar algo diferente do esperado pode gerar receio suficiente para evitar a experiência, mesmo quando se trata de um alimento conhecido.


Alguns exemplos mais específicos sobre a necessidade de previsibilidade da comida:


  1. Evitar frutas porque uma unidade pode estar doce e outra ácida, ou outros vegetais porque maturação altera sabor e textura.


  2. Constantemente evitar também alimentos naturais (derivados de animais, por exemplo) porque tamanho, formato e consistência variam.


  3. Preferir alimentos industrializados porque cada unidade tende a ser parecida com a anterior.


  4. Rejeitar uma marca diferente do mesmo alimento.


  5. Rejeitar mudanças de receita ou reformulações do fabricante.


  6. Estranhar pequenas diferenças de temperatura, crocância ou cozimento.


  7. "Perder" (deixar de comer) um alimento considerado seguro depois de encontrar uma parte inesperada nele.


  8. Examinar o alimento antes de comer e encontrar pequenas irregularidades que passam a torná-lo intolerável.



Comidas misturadas e apresentação


Alimentos diferentes se encostando no prato costumam causar desconforto antes mesmo de prová-los porque deixam de corresponder exatamente à representação sensorial que a pessoa conhece, como mudança de textura (algo seco/crocante ficar úmido/mole) e de sabor (quando um alimento passa a ter traços do sabor de outro).


Este tipo de característica é muito mais percebida em pessoas com alguma neurodivergência diagnosticada (ou ainda não reconhecida), mas não é exclusiva de pessoas autistas, com TDAH ou transtornos de aprendizagem.



Comparação entre pratos: pão com manteiga sendo passado do lado esquerdo da cena e salada com granola, framboesas, banana e cottage, em mesa clara do lado direito.


  1. Não gostar que alimentos diferentes se encostem.


  2. Ter dificuldade com pratos em que não consegue identificar todos os ingredientes.


  3. Rejeitar molhos por esconderem textura ou ingredientes.


  4. Preferir componentes separados no prato.


  5. Precisar saber exatamente como o prato foi preparado.


  6. Ter dificuldade quando outra pessoa cozinha porque perde o controle sobre detalhes da preparação.


  7. Ter dificuldade em restaurantes porque não sabe exatamente como o prato chegará.


  8. Preferir pedir sempre a mesma coisa no mesmo estabelecimento.



Resistência a tentar alimentos novos


A seletividade alimentar pode surgir a partir de diferentes características individuais e experiências acumuladas ao longo da vida.


Uma sensibilidade percebida durante a infância pode se combinar com experiências desagradáveis durante as refeições (inclusive traumas) e aumentar progressivamente a quantidade de comidas evitadas na vida adulta até que se desenvolva uma resistência muito forte a experimentar novos alimentos.


Conhecer os diferentes caminhos associados ao desenvolvimento e à manutenção da seletividade ajuda a compreender o repertório de cada pessoa mesmo sem laudos diagnósticos e exames que possam ser usados pra explicar a origem do comportamento.


Enquanto não se investiga a causa raiz, o adulto com seletividade alimentar experencia:


  1. Sentir medo antecipatório de que o alimento fique preso na boca, assim como medo de vomitar ou engasgar.


  2. Sentir repulsa expressa por sintomas físicos (como "nó na garganta", arrepios, vontade de chorar) apenas imaginando a possibilidade de uma textura desagradável.


  3. Precisar de vários minutos para conseguir colocar uma pequena quantidade na boca.


  4. Conseguir provar uma mordida da comida e ainda assim continuar incapaz de comê-la como parte de uma refeição.


  5. Conseguir engolir um novo alimento em contexto social, mas não gostar e nem incluir no cotidiano.


  6. Sentir que experimentar uma comida exige muita concentração e energia mental (muitas vezes desistindo de passar por esse processo em contextos sociais).


  7. Ficar menos disposto a tentar algo novo quando cansado, ansioso ou sobrecarregado.


  8. Ter experiências de exposição que aumentaram a resistência quando houve pressão para engolir ou terminar.



Alimentação saudável é um conceito muito relativo


“Alimentação saudável” pode parecer um conceito abstrato quando alguém passa anos comendo praticamente do mesmo jeito e, ainda assim, estudou, trabalhou, viajou, construiu relações e vive a rotina tranquilamente.


Acostumar-se com sintomas de uma saúde em desequilíbrio é comum em pessoas com seletividade alimentar.


A necessidade de mudar se torna mais evidente ao receber um laudo de exames alterados, quando uma doença se desenvolve, quando há possibilidade de fazer uma cirurgia ou no início de uma nova fase da vida em que a alimentação precisa de mais atenção.


Nesse momento, é comum surgir a dúvida...


"Se eu consegui viver assim até hoje, por que agora preciso comer diferente?"

Alguns fatores relacionados à dificuldade de reconhecer uma alimentação realmente saudável são comuns em adultos com seletividade alimentar:


  1. Querer melhorar a alimentação e perceber que quase todos os alimentos considerados "saudáveis" estão fora da própria lista de comidas toleradas.


  2. Ter frutas e vegetais como grupo especialmente difícil, variedade extremamente pequena de fontes de fibra e dificuldade de obter proteína porque as fontes aceitas são poucas.


  3. Os alimentos seguros são resumidos em pães, massas, queijo, nuggets, pizza, batata, doces ou outros produtos previsíveis.


  4. Sentir culpa por depender desses alimentos.


  5. Tentar fazer dieta para atingir objetivos estéticos, mas nunca conseguir ver esse resultado por falta de nutrientes essenciais.


  6. Decidir aderir à alimentação vegetariana ou vegana pela repulsa por comidas derivadas de animais, mas não conseguir manter a longo prazo por sintomas de saúde prejudicada.


  7. Ficar sem comer porque considera a opção segura "pouco saudável".


  8. Sentir que refeições volumosas com alimentos de baixa densidade energética são impossíveis de terminar.


  9. Ter dificuldade de seguir cardápios, planos alimentares e receitas porque incluem muitos alimentos não tolerados.



As logísticas para se alimentar em casa ou fora de casa têm diferentes níveis de complexidade



Três mulheres à mesa; uma serve torta de frutas vermelhas numa cozinha, enquanto outra adulta com seletividade alimentar parece cansada e a terceira observa.


Dificuldades com contextos sociais podem aparecer em pessoas neurodivergentes ou neurotípicas (não neurodivergentes).


Em alguns casos, características como sensibilidade sensorial, rigidez ou dificuldade de planejamento fazem parte de uma condição já conhecida. Mas, para outras pessoas, essas características podem ser os primeiros sinais de uma neurodivergência ainda não identificada.


Enquanto para neurotípicos, períodos de estresse intenso, sobrecarga ou cansaço podem aumentar a percepção de estímulos e tornar tarefas relacionadas à alimentação mais difíceis


Para ambos, situações como essas tendem a acontecer com adultos que têm seletividade alimentar:


  1. Considerar cozinhar cansativo demais para repetir várias vezes por dia e preferir alimentos que podem ser preparados em poucos minutos.


  2. Ter energia para cozinhar apenas poucas receitas.


  3. Depender das mesmas preparações porque já conhece o resultado.


  4. Desistir de testar ingredientes porque existe risco de desperdiçar dinheiro.


  5. Sentir que experimentar alimentos novos custa caro porque grande parte acaba descartada.


  6. Comprar sempre os mesmos produtos para diminuir decisões.


  7. Sentir dificuldade de planejar refeições para vários dias por não ser possível prever acontecimentos e emoções da rotina.


  8. Perder interesse por alimentos preparados antecipadamente porque deixaram de ter textura adequada.


  9. Ter dificuldade com sobras.


  10. Recusar eventos porque provavelmente não haverá algo tolerável para comer.


  11. Levar alimento próprio em todos os contextos sociais.


  12. Sentir vergonha quando outras pessoas percebem a pequena variedade alimentar ou comentam sobre o prato servido, e sentir obrigação de provar algo para evitar parecer mal-educado.


  13. Evitar viagens por se preocupar com disponibilidade de alimentos seguros.


  14. Ter mais dificuldade de comer quando está vendo ou cheirando a comida dos outros.


  15. Ser afetado por sons de mastigação, pessoas servindo comida ou pratos compartilhados.



Estresse, sono e hidratação impactam no apetite


Períodos de maior estresse, sono desregulado e poucas horas de descanso, assim como baixa hidratação ao longo do dia, geram respostas do corpo (como fome, sede, sono, baixa energia) que podem ser confundidas com agonia, ansiedade ou indisposição generalizada, todas sensações que afetam o apetite, a vontade de comer e a decisão relacionada a fome física.


A alimentação segue limitada se não houver energia mental para enfrentar texturas ou sabores desafiadores, afetando também a vontade de ter novas experiências, assim como:


  1. Voltar a níveis de restrição que a pessoa não apresentava há anos, com sensação de "regressão" do progresso


  2. Esquecer refeições quando está concentrado em trabalho ou estudo.


  3. Adiar comer até terminar tarefas.


  4. Sentir náusea associada ao estresse e passar a evitar ainda mais comida.


  5. Comer pouco durante o dia e sentir fome intensa na hora de dormir.


  6. Ter dificuldade de dormir porque a fome fica mais perceptível quando acabam as distrações.


  7. Entrar em ciclo de privação de sono, piora da saúde mental e maior dificuldade de comer.


  8. Passar a noite acordado sem motivo racional aparente.


  9. Perceber gosto metálico, amargo, mineral, empoeirado ou desagradável na água.


  10. Sentir náusea ao beber água ou só conseguir se hidratar em uma temperatura específica.


  11. Ficar estufado ou desconfortável depois de pouca quantidade de comida ingerida.


  12. Conseguir chegar a um nível de desidratação relevante apesar de saber que precisa se hidratar.


  13. Desenvolver constipação, tontura, fraqueza ou problemas renais associados ao baixo consumo de água.


  14. Sentir culpa por usar bebidas açucaradas para conseguir se hidratar.



Atividade física


Adultos com seletividade alimentar frequentemente têm dificuldade com iniciar ou manter uma rotina de exercícios físicos por medo de não comer o suficiente para sustentar o esforço necessário.


Evitar academia porque já está abaixo do peso também é comum quando a pessoa associa apenas a estética como uma referência do que significa "ser saudável" e usa este argumento para se manter afastada de esportes, academia, entre outras possíveis formas de manter o corpo ativo.


Relatos de pacientes que buscam acompanhamento nutricional para seletividade alimentar variam de sentir tontura ou visão escurecendo durante exercício, dificuldade para completar treino por sensação de fraqueza, a precisar "pular o treino" porque passou o dia comendo pouco.



Mulher adulta fazendo afundo com halter roxo em sala iluminada, com sofá branco, plantas e clima de treino em casa, representando adulto com seletividade alimentar tendo dificuldade para executar atividades físicas por fraqueza.


Outras sensações são:


  1. Demorar muito para se recuperar de esforço relativamente pequeno.


  2. Sentir fraqueza muscular mesmo nos dias em que não se exercita.


  3. Quase desmaiar durante prática esportiva.


  4. Aumentar atividade física e perceber piora da restrição ou da náusea ao tentar comer.


  5. Gostar muito do exercício por seus efeitos sobre o humor logo após, mas notar mudança drástica de humor aproximadamente 1 hora depois da atividade (que segue piorando por tempo indeterminado).


  6. Achar que treinar "não vale a pena" porque a alimentação não corresponde ao ideal de dieta saudável.


  7. Tentar compensar uma dieta percebida como ruim com maior quantidade de exercício.



Há diferentes formas de adultos com seletividade alimentar terem mais qualidade de vida


Muitas das dificuldades descritas neste artigo podem ser trabalhadas gradualmente. É possível aprender formas de experimentar alimentos, adaptar texturas e preparações, ampliar a variedade e tornar situações como cozinhar, comer fora ou montar uma refeição menos difíceis.


Esse é um dos objetivos do acompanhamento nutricional para seletividade alimentar, principalmente através do trabalho interdisciplinar da nutrição, com a psicologia, a medicina, fonoaudiologia e terapia ocupacional.


No acompanhamento nutricional para seletividade alimentar, esse processo é organizado de acordo com as dificuldades e o repertório de cada pessoa, com estratégias práticas para aplicar entre as consultas.




Aline Angela Carvalho de Araujo

Nutricionista Clínica Comportamental

CRN-8 18431

Atendimento online

alineangela.nut@gmail.com




 
 
 

Comentários


Não é mais possível comentar esta publicação. Contate o proprietário do site para mais informações.

Vamos encontrar as conexões que faltam para construir a saúde e a autoestima que tanto deseja.

  • LinkedIn

©2023 por Aline Angela | Todos os direitos reservados.

bottom of page