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Entenda por que tirzepatida e semaglutida emagrecem rápido

  • 7 de fev.
  • 6 min de leitura

Atualizado: 13 de abr.

Mulher injetando tirzepatida na coxa, segurando uma caneta injetora de Mounjaro. Braços têm tatuagens. Veste camiseta branca, ambiente claro.


Se já ouviu falar de "canetas" que estão mudando o tratamento da obesidade, ou conhece alguém que conseguiu perder peso de forma muito mais rápida do que pela mudança de hábitos, neste artigo vai descobrir se essa também é uma estratégia interessante para você.


Vários estudos mostram que tirzepatida geralmente emagrece mais do que semaglutida, mas ambas têm mecanismos centrais parecidos.



Tirzepatida e Semaglutida emagrecem porque alteram a forma como nosso corpo recebe os alimentos


Tanto a semaglutida quanto a tirzepatida são análogos de incretinas.


Incretinas são hormônios produzidos pelo nosso próprio corpo (especificamente no intestino) que avisam o pâncreas que a comida chegou.


Sempre que você come, essas substâncias entram em ação para garantir que o nível de glicose no sangue não suba demais.


Os medicamentos Mounjaro, Ozempic e WeGovy são moléculas sintéticas que imitam hormônios naturais do intestino que o corpo libera após uma refeição.


Esses hormônios têm papel central na regulação do apetite, da glicose e do metabolismo.


Tirzepatida e semaglutida são agonistas de GLP-1 (no caso de Mounjaro, também de GIP) e emagrecem porque fazem a pessoa sentir menos fome, ficar satisfeita com menos comida e passar mais tempo sem precisar comer de novo.



Mecanismo de ação no emagrecimento


Semaglutida é um agonista do receptor de GLP‑1:


Aumenta insulina (quando a glicose está alta), reduz glucagon, retarda o esvaziamento gástrico e reduz o apetite, aumentando saciedade e diminuindo ingestão de comida.


Tirzepatida é agonista duplo GIP/GLP‑1:


Faz tudo que o GLP‑1 faz e ainda ativa receptores de GIP, o que parece aumentar o uso de gordura corporal e dar benefício metabólico adicional.


Isso acontece porque os medicamentos reforçam sinais hormonais que saem do intestino durante e depois das refeições, mas no caso da tirzepatida (dupla GIP + GLP‑1) parece gerar maior oxidação/uso de gordura e melhor perfil metabólico (triglicérides, VLDL, HDL).


Esses sinais chegam ao cérebro e mudam o comportamento alimentar por consequência:


  • Conseguir servir porções menores ao comer

  • Menos “vontade de repetir”

  • Menos "beliscos" ao longo do dia

  • Menos episódios de comer por impulso ou de forma exagerada


Mas esses efeitos não são garantidos, porque dependem de cada caso.


Há pessoas que ao invés de notarem maior oportunidade de moderação, notam sofrimento, como enjoo imediatamente após comer e repulsa pela comida.



O que significa retardar o esvaziamento gástrico?


Mulher com expressão de desconforto por conta do uso de Semaglutida, segura o estômago se sentindo satisfeita, está comendo um copo de macarrão. Fundo com sofá bege e planta verde.

Deixar o esvaziamento do estômago mais lento significa aumentar o tempo que o alimento (nesta fase chamado de quimo) permanece dentro do estômago antes de ser liberado para o intestino delgado (duodeno).


Como o estômago permanece cheio (distendido) por mais tempo, os sinais de saciedade enviados ao cérebro são prolongados. Você se sente "cheio" por mais tempo.


A glicose chega ao sangue de forma mais lenta e constante, pois a quebra final e absorção dos carboidratos só ocorre no intestino.


O alimento fica mais tempo exposto ao ácido clorídrico e à pepsina no estômago, o que pode ser útil para a quebra de proteínas complexas, mas desconfortável se o tempo for excessivo.


Para muitas pessoas, glicose mais estável também significa menos fome “repentina” e menos vontade de “corrigir energia” com alimentos que oferecem energia de forma mais rápida.


Ao longo de dias e semanas, se o corpo recebe uma quantidade tão diferente de energia do que estava acostumado, reage buscando completar a energia que faltou e usando reservas, ou seja, gordura corporal e até mesmo massa magra.


Com o tempo, esse processo aparece na balança pela redução de peso.



Existe problema no retardo do esvaziamento gástrico?


Embora o retardamento moderado seja um processo fisiológico normal (especialmente após refeições gordurosas), o atraso excessivo e patológico é chamado de gastroparesia.


Nesses casos, a comida pode fermentar ou solidificar no estômago, causando náuseas, vômitos e refluxo, pois o "trânsito" parou de fluir como deveria.


Algumas possíveis doenças decorrentes desse mecanismo se o uso de tirzepatida e semaglutida não tiver acompanhamento profissional:


  • Supercrescimento Bacteriano no Intestino Delgado (SIBO): acontece quando as bactérias do cólon "sobem" para o intestino delgado, ou as bactérias que entram com a comida não são "empurradas" para a frente e começam a se multiplicar ali mesmo.

  • Úlceras gástricas: pelo contato prolongado do ácido com a mucosa.

  • Distúrbios hidroeletrolíticos: perda de minerais essenciais (potássio, sódio) devido aos vômitos.



Quantos kg é possível emagrecer usando Mounjaro, Ozempic ou WeGovy?


Pessoa em uso de tirzepatida medindo a cintura com fita métrica branca marcada em vermelho, fundo de pele clara. Foco nas mãos e tatuagem.

Nos estudos grandes, com acompanhamento longo, a média de perda de peso foi em torno de 15% com semaglutida em cerca de 68 semanas, e em torno de 15% a 21% com tirzepatida em cerca de 72 semanas, dependendo da dose.


Esses números são médias, ou seja, algumas pessoas perdem mais, outras menos.


Em pessoas com obesidade, sem diabetes


Ensaio direto 72 semanas do estudo SURMOUNT‑5): tirzepatida em torno de ‑20,2% do peso vs semaglutida por volta de ‑13,7%.


Meta‑análises de ensaios sem diabetes mostram ‑19,2% com tirzepatida vs ‑12,9% com semaglutida 2; ambos reduzem grande volume de peso e cintura.


Em pessoas com obesidade + diabetes tipo 2


Tirzepatida 10–15 mg: cerca de ‑12,8% a ‑14,7% em 72 semanas vs ‑3,2% com placebo.


Comparações indiretas sugerem tirzepatida 10–15 mg emagrecendo ~2,5–5% a mais que semaglutida 2,4 mg nesse grupo.


"Alternativas como a Tirzepatida vieram para criar mais uma janela de oportunidade para quem está em tratamento de obesidade e resistência à insulina. Sem aproveitar essa janela de oportunidade para a mudança de comportamento, o investimento não dá garantia de resultado a longo prazo, assim como outras opções muito mais em conta." — Aline Angela, Nutricionista Comportamental


Quando comer menos leva ao emagrecimento


O corpo gasta energia o tempo todo para manter você vivo.


Esse gasto inclui o funcionamento de órgãos, a manutenção da temperatura e todo movimento do dia, inclusive durante atividade física.


A energia do corpo vem da comida. Se, durante muitas semanas, uma pessoa passa a comer quantidades muito menores do que antes, chega um ponto em que o corpo precisa buscar energia em algum lugar para completar o que está faltando. Ele faz isso usando reservas.


As duas reservas mais importantes são:


  • Glicogênio: uma forma de energia guardada em músculos e fígado, que vem junto com água

  • Gordura corporal: a maior reserva de energia do corpo


No começo, parte da perda de peso pode vir de glicogênio e água.


Depois, com continuidade, a perda tende a vir principalmente de gordura.


É por isso que o efeito de “menos fome e mais saciedade” se transforma em emagrecimento, porque ele reduz a quantidade de comida que entra de forma repetida por muito tempo.


Mas o mesmo acontece para músculos.


Por isso muitas pessoas que usam medicações sem acompanhamento profissional notam o rosto com aparência de "derretido", menos força para executar tarefas básicas do dia a dia, dificuldade em completar treinos de força e uma sensação geral de fraqueza que persiste, porque durante a restrição severa o corpo preserva gordura e usa principalmente o músculo para gerar a energia que está faltando.



A adesão ao tratamento é o principal desafio


Um aspecto fundamental do tratamento com GLP-1 envolve a continuidade do uso.


Nos estudos patrocinados pelos fabricantes, a adesão ficou entre 83 e 88% em 66 a 68 semanas.


A realidade da prática clínica mostra números bem diferentes.


Cerca de 33 a 50% das pessoas continuam usando o medicamento após um ano, e apenas 15% aos 2 anos.


Quando o medicamento é interrompido, o reganho de peso é comum, com até 2/3 do peso perdido retornando no primeiro ano após a suspensão.


Esse padrão sugere que o tratamento da obesidade com GLP-1 funciona melhor como uma intervenção de longo prazo, integrada a mudanças sustentáveis no estilo de vida que podem ser mantidas independentemente do uso contínuo da medicação.


Agora, você já se perguntou...


Como garantir que você está comendo adequadamente apesar do apetite reduzido? Como evitar a perda excessiva de massa muscular? Como manejar os efeitos colaterais quando aparecem? Como criar hábitos alimentares sustentáveis que permanecerão mesmo se você decidir parar o medicamento no futuro?

Construir uma base sólida de conhecimento sobre seu próprio corpo e suas necessidades específicas neste momento da sua jornada, faz toda a diferença entre simplesmente perder peso e transformar de verdade sua saúde de forma sustentável.


Para iniciar ou continuar seu tratamento, encontre suporte especializado.



Aline Angela Carvalho de Araujo

Nutricionista Clínica Comportamental

CRN-8 18431

Atendimento online para qualquer lugar do mundo




 
 
 

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